domingo, 25 de julho de 2010

A origem do universo: uma nova perspectiva do Big Bang

A teoria mais aceite para a formação do universo é o Big Bang, ou, se preferirem a tradução, o Grande Catrapum. A teoria consiste num pressuposto básico: existe uma condensação de matéria (tudo o que era existente), que a dado momento contém tanta energia que não lhe resta alternativa senão explodir (curioso que dito assim parece que descrevo uma discussão conjugal...).
Ora impingem, perdão, ensinam portanto que a partir da explosão da matéria (o dito catrapum) se inicia a expansão do universo. Fica-me, no entanto a dúvida... Se a condensação supra-escamoteada era a  totalidade de tudo o que existia no universo, então para onde raio se irira expandir? Teria de haver espaço, teria de haver algo mais, senão não haveria possibilidade de expansão. Por mais tralha que se acumule nas minhas prateleiras, se não tiver uma arrecadação ou garagem, não há por onde expandir o meu patético império de bens pessoais.
O big bang não é mais do que um mero exercício conpulsivo de uma mente humana que procura a explicação para tudo. Procuramos a teorização, a racionalização, a dissecação de cada um dos aspectos da vida que nos falha à compreensão.
Porque motivo não saí de casa 5 minutos mais cedo e teria sido envolvido num acidente catastrófico? Porque razão tomei a opção mais idiota num qualquer momento? Qual a explicação para tanto azar se abater sobre mim? Ou ainda o mais típico: porquê eu?
Questões sem fim. Questões às quais não tem de corresponder obrigatoriamente uma resposta.
Desde os tempos da escravização intelectual do catolicismo que interiorizamos que dogmas (verdades inquestionáveis, para quem só chegou ainda à letra C do dicionário) apenas são relacionáveis com Deus.
No entanto a vida encarrega-se de ir comprovando um dogma diário: o "porque sim". A génese do porque sim remonta ao Big Bang, que aconteceu porque sim. Expandiu-se o universo porque sim, espalharam-se, quais cacos de um cristal baratucho, os planetas, estrelas e poeiras cósmicas porque sim, criou-se vida porque sim.
Muito humor houve concerteza na criaçao do ser humano, e aqui o porque sim deve ter sido acompanhado das mais valentes e audiveis gargalhadas. A "idade dos porquês" perpetua-se ao longo de toda uma existência pouco conformada aos "porque sim", mas acomodada às espatafúrdias (por favor ao chegar à letra E do dicionário confirmar existência desta palavra)  teorias explanadas com pompa.
Moral da história, o Homem busca a explicação para o mundo que o envolve, para a sua própria Natureza, mas satisfaz-se rapidamente pois a procura pela explicação é apenas uma procura pelo conforto.
Aceita-se a teoria do Céu após a morte, eplo seu conforto, mas...onde raio caberiam num espaço todas as pessoas que algum dia pisaram a Terra? E quem teia sido o primeiro a lá entrar? Já agora, e preocupo-me sobretudo por motivos estéticos, entrando no Céu, ficamos com a aparência à data da morte ou é opcional? Por fim fico com o lado dos 20 anos. Na ausência de explicação estruturada, limito-me a esperar para ver. Depois conto!
A vida é portanto imprevisível, cheia de decisões esporádicas que não percebemos. Basta portanto de explicações medíocres (já imagino o podre namorado traidor a desculpar-se com o álcool, ou a namorada traidora a dizer que as amigas é que incentivaram). Basta de dissecar emoções, sentimentos, impulsos. Mais do que explicar há que assumir a vida, há que ter coragem de saber não só aceitar os "porque sim", mas gritar a plenos pulmões "porque não?"

PS - Deixo uma questão pertinente: se o universo é tudo o que existe, e nele há buracos negros (como se houvesse algum buraco com iluminação natural radiante), quer dizer que o universo tem uma cave? Já agora há escadas (ou elevador) para o andar superior do univeso?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

É caseiro sim senhora...

Numa altura de contenção financeira, em que os tostões na carteira perdem espaço para as simpáticas traças (e que gordinhas estão, alimentadas pelos vestígios de infrutíferos talões da sorte grande que sempre foi azar), continuamos a escolher formas curiosas de gastar os nossos recursos.
Todos na vida procuram o melhor, dentro das limitações que a realidade cruel nos impõe. Mas este melhor é, não raras vezes, uma ilusão, uma máscara. Procuramos sim o mais reluzente em vez do verdadeiro material precioso (já o dizia numa magnifica música o poeta cantor edward louis severson III).
Nos beirais de inúmeras estradas deste país, de tantas lugares mundados, empilham-se bancadas artesanais apregoando o produto caseiro, o produto original, recheado de pureza da ponta da folha de espinafre ao tutano da galinha depenada. O citadino pára, desembolsa dinheiro, reluz a genuidade do campo, e para casa, leva a ilusão da fruta mais fresca (aquela doçura da maça escorrendo suco que nem uma chuva de sabor a cada dentada), a promessa da carne mais tenra, a convicção da flor mais aromática ou da verdura que de tanta vitamina e fibra, envergonha o melhor dos suplementos vitamínicos. Leva as ilusões, leva as convicções, leva também o brilho, sem quase nunca levar o precioso. Leva sim a fruta das grandes superfícies comerciais, a carne de um banal talho, a certeza sobretudo de que procurando o melhor esqueceu o precioso, levou apenas o que mais brilha. Esperto o saloio, que de ar tão angelical e puro, limitou-se a adquirir os seus produtos num qualquer supermercado. Não é o conteúdo, é a embalagem reluzente que importa.
Aqui se aplica o curioso provérbio de "comprar gato por lebre". Ainda que nunca eu comi lebre, mas as semelhanças entre um semelhante de coelho e um gato me pareçam aí sim demasiado óbvias. Confesso nunca ter visto um gato escalfado, como os pobres coelhos no talho, mas acho que aí reconheceria a diferença. Já a diferença entre latão polido e ouro ferrugento é de distinção mais destinada aos olhos e instinto mais exímios.
Ora com as suas compras aldrabadas no aconchego da sua dispensa, decide o nosso "alguém" entre tantos "ninguéns", seleccionar um destino de férias. Vasculha os sítios que cada um dos alguéns do seu mundo particular de ninguéns recheia de elogios. Esquece-se que não há nenhum ninguém que, para ser alguém, não escapa à gabarolice e as férias num sitio exótico, mas ilustradas por chuvadas, alergias e tropelias, tornam-se um conto de fadas, solarengo
Escolhe-se o hotel mais caro, pois nem que seja por 2 tostões, se é mais caro é necessariamente melhor. Escolhe igualmente o destino mais caro que lhe permite a sua bolsa, com um qualquer incremento de um fácil (mas condenador) empréstimo de ocasião. Se é mais caro, é naturalmente, melhor. Esquece os seus sonhos, os seus gostos, as suas preferências. Esquece porventura que tem um medo aterrador de água, no entanto selecciona o paraíso dos mergulhadores. Tem um medo petrificante de longos voos, mas escolhe um destino do outro lado do mundo (para além de onde Colombo acreditava cair da Terra para o vazio. E que delicioso era a ideia de um mundo chato e achatado). Abomina a praia e não foge ao destino cuja areia beijando o mar são a única opção para se ocupar. Esquecemos o que valorizamos para ostentar-nos por cada cantinho de um mundo que nos ignora com uma reluzência que em nada condiz com a nossa felicidade.
Escolhemos o mais caro, tal como escolhemos o mais barato (e aqui surge a irritante mania de cidadãos abastados apregoarem que compram económico na feira as suas blusas GAP, Sacoor e afins, tudo para reluzirem com a sua simplicidade artificial), o mais piroso, o mais requintado. Escolhemos vezes de mais o que mais brilha aos olhos alheios do que o que é realmente precioso para nós. Deleitam-se mais os olhos do que a alma, esforça-se o ego mais por agradar ao alheio do que a ele próprio.
Para ver o brilho em algo é indispensável que seja polido. Polido com empenho, com esforço, com perseverança quando após tanto esfregar (e o teimoso génio da lampâda permanece numa teimosa sesta) o brilho urge em surgir.
Mas o brilho fácil desvanece, desgasta-se demasiado rápido. É a diferença entre ter um brinde reluzente saída numa bola de 2 euros, ou um anel de ouro escondido no fundo de uma gaveta, e que espera apenas a nossa atenção para resplandescer.

PS- Avozinha, obrigado por tantas vezes me levares à feira quando era mais pequeno, mas os senhores da feira cheira-me que vendem azeitonas e alfaces iguaizinhas ao Pingo Doce=)